Livro I · A Queda

Capítulo V

Pai e Filho

“Levantando-se, foi para seu pai. Estando ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu para seu filho, abraçou-o e o beijou.”

— Lucas 15:20
Índice
Texto

Algum tempo antes…

Rafael permanecia caído diante da grande porta dourada dos Aposentos de Deus. Uma pequena poça de sangue havia se formado no mármore, sob o lado esquerdo de seu rosto, enquanto finos fios de fumaça ainda escapavam do profundo corte que atravessava sua face.

Atrás dele, alguém permanecia imóvel.

A espada negra ainda estava em sua mão, com a ponta voltada para o chão. Veios vermelhos percorriam a lâmina como metal em brasa, enquanto o calor constante distorcia levemente o ar ao seu redor. Da ponta da espada, pequenas gotas de sangue ainda caíam lentamente sobre o mármore.

Lúcifer observou Rafael. Então ergueu ligeiramente a arma e, com um movimento rápido e seco, golpeou o ar ao lado do próprio corpo. O sangue que ainda cobria a lâmina foi lançado sobre o mármore.

A estrutura da espada lembrava a de Miguel, mas toda a arma era escura. A guarda e o pomo eram negros, e tiras de couro escuro envolviam a empunhadura. A bainha também era negra, marcada por discretos detalhes vermelhos.

Com a mesma tranquilidade com que havia chegado até ali, Lúcifer guardou lentamente a espada.

Seus olhos se voltaram para a enorme porta dourada à sua frente. Estendeu a mão e abriu lentamente uma das folhas.

Do outro lado estavam os Aposentos de Deus.

Lúcifer parou na entrada. Seus longos cabelos negros desciam até a cintura. Uma grande cicatriz atravessava seu rosto, partindo da testa, passando entre os olhos e descendo até próximo ao canto da boca. Grandes asas negras de penas permaneciam recolhidas junto às costas. A armadura negra envolvia seu corpo, percorrida por veios vermelhos que pareciam brasas acesas sob o metal.

Não havia ódio em seu rosto. Apenas serenidade.

Lúcifer entrou e fechou lentamente a porta.

Os aposentos eram amplos. Não havia janelas, e a mesma luz constante do Céu iluminava cada canto sem projetar qualquer sombra. Um grande tapete ocupava boa parte do centro do quarto. Em um dos lados, três cadeiras estavam posicionadas diante de uma ampla poltrona. Mais ao fundo, uma grande estante repleta de pergaminhos e livros dividia espaço com uma escrivaninha de madeira clara. Próxima à parede repousava uma grande cama de ferro dourado, coberta por lençóis brancos.

Deus repousava sobre ela.

Lúcifer ficou junto à porta, observando-O em silêncio. Depois, ergueu lentamente a mão esquerda. Runas avermelhadas começaram a surgir ao seu redor. A energia se espalhou pelas extremidades dos aposentos até envolver completamente o ambiente.

Por um breve instante, uma barreira translúcida avermelhada tornou-se visível. Inúmeras runas percorriam sua superfície.

Então a barreira tornou-se imperceptível.

Lúcifer abaixou a mão e começou a caminhar em direção à cama.

Antes que chegasse até ela, uma vibração percorreu a grande porta dourada. Uma das folhas moveu-se quase imperceptivelmente.

Alguém tentava abri-la do outro lado.

Lúcifer parou e voltou os olhos para a entrada. Ergueu novamente a mão.

As runas reapareceram ao redor da porta e brilharam com mais intensidade. A energia da barreira se concentrou naquele ponto até envolver completamente a entrada.

O movimento da porta cessou. As runas se apagaram, e a barreira voltou a se tornar imperceptível.

Lúcifer abaixou a mão e voltou a caminhar em direção à cama.

Ao chegar diante do Pai, apenas O observou. A serenidade em seu rosto deu lugar a algo diferente: saudade e carinho.

Lúcifer se inclinou. Com extrema delicadeza, afastou uma mecha dos longos cabelos brancos que repousava sobre o rosto de Deus. Seus dedos deslizaram suavemente por Sua face.

— Pai…

Os olhos de Deus começaram a se abrir. Observou quem estava diante Dele. Então sorriu.

— Lúcifer…

Lúcifer permaneceu imóvel. A surpresa tomou seu rosto.

Talvez esperasse indignação. Reprovação. Talvez até raiva. Não encontrou nenhuma delas. Encontrou apenas o sorriso de um Pai diante do filho que não via havia muito tempo.

Deus tentou Se sentar. O movimento, porém, exigiu mais esforço do que deveria. Lúcifer percebeu imediatamente e estendeu a mão quase por instinto, ajudando-O.

Já sentado, Deus ficou em silêncio enquanto Seus olhos percorriam os aposentos.

— Entendo…

Fez uma breve pausa.

— Então… a proteção do Céu realmente desapareceu…

Seus olhos voltaram para Lúcifer.

— Foi assim que conseguiu entrar.

Lúcifer, porém, mal parecia prestar atenção à constatação. Seus olhos estavam presos ao estado do Pai.

— Pai…

Continuou sustentando-O.

— O Senhor mal consegue permanecer sentado…

A preocupação em seu rosto era genuína.

— O que aconteceu com o Senhor?

Deus apenas sorriu e olhou para ele.

— Faz muito tempo… Meu filho.

Lúcifer permaneceu em silêncio. Deus não havia respondido. Mesmo assim, ele não insistiu.

Ajudou o Pai a Se levantar da cama. Quando Deus finalmente conseguiu ficar de pé, os dois permaneceram frente a frente.

Lúcifer deu um pequeno passo para trás. Então se ajoelhou diante do Pai, apoiando um dos joelhos no chão, como um guerreiro diante de seu rei. Respirou profundamente.

— Meu Pai… descanse. O Senhor já carregou esse fardo por tempo demais. Permita que eu governe o Céu em Seu lugar. Recupere Suas forças. Enquanto isso, eu cuidarei de tudo…

Lúcifer ergueu os olhos para o Pai.

— …e farei isso melhor do que o Senhor.

Deus apenas o observou. Um sorriso discreto surgiu em Seu rosto.

Então, com esforço, começou a Se abaixar diante de Lúcifer, até ficar à altura de seus olhos.

Lúcifer percebeu a dificuldade do Pai. Por respeito, levantou-se imediatamente e segurou-O, ajudando-O a ficar de pé outra vez.

Quando os dois ficaram novamente frente a frente, Deus manteve os olhos no filho.

— Meu filho… governar nunca foi sobre poder. É sobre amar até aqueles que escolhem se afastar de nós.

Lúcifer permaneceu em silêncio.

— Enquanto existir uma única criatura que ainda possa ser salva… Eu jamais deixarei de lutar por ela.

Deus deu um passo à frente e o abraçou.

Lúcifer ficou imóvel.

Seus olhos se arregalaram. Não retribuiu o abraço, mas também não tentou afastá-Lo.

— Meu filho…

Sua voz carregava tristeza.

— Todo esse tempo no Submundo… e você ainda acredita que o poder é a resposta?

Lúcifer não respondeu.

— Foi essa busca pelo poder de decidir pelos outros que fez você cair.

Os olhos de Lúcifer se fecharam.

— …e que o impediu de voltar ao Céu.

Deus permaneceu abraçado ao filho.

— Hoje… você só conseguiu retornar porque a proteção do Céu desapareceu.

O rosto de Lúcifer começou a mudar.

— Quando o vi diante de Mim… achei que tivesse encontrado paz.

Deus apertou-o delicadamente contra Si.

— Mas vejo que seu coração continua preso ao mesmo erro.

O silêncio tomou os aposentos. Lúcifer respirou profundamente.

— Pai…

Sua voz já não carregava a mesma serenidade.

— Eu realmente queria não precisar fazer isso…

Lentamente, desfez o abraço. Afastou-se um passo, mas não desviou os olhos do Pai.

— O Seu Filho… aquele que o Senhor enviou à Terra…

Sua voz perdeu parte da firmeza.

— Eles puderam escolher, Pai.

Lúcifer respirou profundamente.

— E escolheram Barrabás.

Sua expressão começou a endurecer.

— Escolheram crucificar o Seu Filho.

Lúcifer apertou os dentes.

— Eles usaram o Seu Filho como um cordeiro, Pai. Mataram-No e transformaram Sua morte no pagamento pelos próprios pecados.

Fez uma breve pausa.

— E mesmo assim eles não aprenderam.

— O Senhor lhes deu o livre-arbítrio. Deu a eles a liberdade para escolher entre o bem e o mal. Confiou que escolheriam o amor…

Balançou lentamente a cabeça.

— Mas olhe para a humanidade, Pai.

A tristeza em sua voz começava a dar lugar à revolta.

— Eles continuam escolhendo a guerra. Continuam matando uns aos outros. Continuam destruindo tudo o que o Senhor lhes deu.

Lúcifer apertou os dentes.

— Até o Seu próprio Filho morreu por eles… e nada mudou.

Permaneceu em silêncio.

— Quanto mais eles precisam destruir antes que o Senhor aceite que isso não está funcionando?

Deus permaneceu diante dele em silêncio.

Lúcifer esperou. Ainda parecia acreditar que poderia ouvir uma resposta diferente daquela que recebera tantas vezes. Então sua expressão começou a mudar.

— Eu tentei conversar com o Senhor. Tentei mostrar um caminho melhor.

Deu outro passo para trás. Sua mão direita repousou sobre o cabo da espada.

— Mas o Senhor não me deixou outra escolha.

Lúcifer desembainhou lentamente a lâmina negra, percorrida por veios vermelhos. O calor emanado pela arma distorceu o ar ao redor do metal.

Mesmo assim, Deus não se moveu.

— Ninguém virá ajudá-Lo, Pai.

Lúcifer manteve a espada abaixada.

— Seus arcanjos estão ocupados com meus generais.

Seus olhos permaneceram sobre o Pai.

— E ninguém conseguirá entrar aqui enquanto minha barreira permanecer ativa.

Mesmo enfraquecido, Deus começou a caminhar em direção ao filho. Lúcifer permaneceu imóvel, ainda segurando a espada.

Deus parou diante dele. Então segurou delicadamente a mão que empunhava a arma. Não tentou desarmá-lo. Apenas a segurou.

— Meu filho…

Um pequeno sorriso surgiu em Seu rosto.

— Acalme seu coração.

Lúcifer apertou os dentes.

— A violência não resolverá isso. Ainda podemos conversar.

A respiração de Lúcifer tornou-se mais pesada. Pareceu lutar contra si mesmo. Então afastou bruscamente a mão de Deus e O empurrou.

Enfraquecido, Deus não conseguiu Se manter de pé. Seu corpo caiu sobre o chão dos aposentos.

Lúcifer permaneceu diante Dele, respirando pesadamente, com a espada apontada em Sua direção. Nenhum dos dois disse uma palavra. Lúcifer observou o Pai caído. Aos poucos, a espada começou a baixar.

Virou o corpo, ficando de costas para Deus. Fechou os olhos e respirou profundamente. Uma lágrima escapou pelo canto de seu olho. Depois outra. Lúcifer permaneceu imóvel, tentando conter aquilo que já não conseguia esconder.

— Pai… ainda não consegue enxergar?

Lúcifer olhou para Deus por cima do ombro.

— Não está vendo que a forma como governa já não funciona?

Virou-se novamente para Ele e ergueu a espada, apontando-a em Sua direção.

— A humanidade precisa de ordem. Precisa de limites.

As lágrimas continuavam descendo por seu rosto.

— Eles tiveram liberdade, Pai. E veja o que fizeram com ela.

Sua mão apertou com mais força o cabo da espada.

— Alguém precisa impedi-los de continuar destruindo uns aos outros.

Lúcifer sustentou o olhar do Pai.

— Mesmo que, para isso, seja preciso escolher por eles.

Deus ficou em silêncio, ainda caído no chão dos aposentos.

A compaixão continuava em Seu rosto.

— Meu filho…

Apoiou uma das mãos no chão e começou a Se levantar. O esforço era evidente.

— Você já tentou impor sua vontade aos homens pelo medo. Já deveria saber onde esse caminho termina.

Lúcifer levou a mão ao rosto e passou os dedos lentamente sobre a cicatriz.

— Se Eu lhes tirasse a possibilidade de dizer não… também tiraria o valor de cada sim.

Deus conseguiu firmar os pés.

— Posso obrigá-los a obedecer. Posso decidir por eles.

Ergueu os olhos para o filho.

— Mas isso não seria amor.

Os dois ficaram novamente frente a frente.

— Só existe amor quando existe escolha.

Deus manteve os olhos nos de Lúcifer.

— Aquilo que precisa ser imposto pela força… jamais poderá ser chamado de amor.

Lúcifer permaneceu imóvel. Seus dedos começaram a apertar o cabo da espada. Cada vez mais. A serenidade que ainda restava em seu rosto desapareceu.

— Então vamos ver…

Lúcifer avançou.

Suas asas negras se abriram e impulsionaram seu corpo para a frente. A espada se ergueu acima de sua cabeça.

— …se o Seu amor consegue defendê-Lo!

A lâmina desceu.

No último instante, Deus ergueu apenas a mão direita. Uma intensa luz dourada nasceu de Sua palma. A espada negra colidiu contra a luz que envolvia Sua mão. Um enorme clarão dourado explodiu pelos aposentos.

Brasas foram lançadas pelo ar enquanto Lúcifer pressionava a arma com toda a força do corpo. O calor da lâmina distorcia o ar ao redor do metal.

Deus não recuou.

A onda provocada pelo choque se espalhou violentamente pelos aposentos. Quando alcançou os limites da barreira invisível, parte dela tornou-se visível. Runas avermelhadas surgiram no ponto atingido, e ondulações percorreram sua superfície. Por alguns instantes, o dourado do poder de Deus e o vermelho da barreira de Lúcifer tomaram os Aposentos.

Nenhum dos dois recuou.

Deus ergueu a mão livre. Uma intensa luz dourada nasceu de Sua palma. A energia atingiu Lúcifer em cheio e o lançou para trás. Ele deslizou pelo mármore antes de conseguir firmar os pés novamente. Lúcifer ergueu os olhos para o Pai, ainda segurando a espada. Deus permanecia de pé. Sua respiração estava pesada, mas não havia raiva em Seu rosto.

— Meu filho…

Lúcifer não respondeu. Seus dedos voltaram a apertar o cabo da espada. A respiração de Lúcifer tornou-se mais pesada. As lágrimas continuavam descendo por seu rosto.

— Se continuar assim… é o Senhor quem vai destruir a humanidade.

Deu um passo à frente.

— Quantas gerações ainda precisarão sofrer, Pai?

Mais um passo.

— Quantas guerras?

Outro.

— Quantas vidas perdidas?

Sua voz começou a falhar entre a raiva e o choro.

Lúcifer passou por Deus. Ao cruzar por Ele, atingiuO violentamente com o ombro. Enfraquecido, Deus foi lançado para trás. Seu corpo bateu contra a parede dos aposentos e caiu, terminando sentado no chão, com as costas apoiadas contra o mármore. Então apoiou uma das mãos no chão e começou a Se levantar. O esforço era evidente.

— Meu filho…

Conseguiu firmar os pés e começou a caminhar lentamente em direção a Lúcifer.

— Quem erra ainda pode aprender.

Lúcifer cerrou os dentes.

— Muitos se levantaram depois de cair.

Deus deu mais um passo.

— Muitos aprenderam com seus próprios erros.

Sua voz permanecia calma.

— É por isso que ainda existe esperança.

Lúcifer apertou com força o cabo da espada.

Deus continuou avançando em sua direção.

Lúcifer começou a respirar mais pesadamente. A mão que segurava a espada tremia. Então perdeu o controle. Girou o corpo e desferiu o golpe.

A lâmina negra atravessou o peito de Deus em um corte diagonal, partindo do ombro esquerdo e descendo até próximo à cintura do lado direito.

Deus parou. Por um instante, nenhum dos dois se moveu. Então veio o sangue.

Escorreu pela túnica branca, acompanhando toda a extensão do corte. Ao redor do ferimento, o tecido começou a escurecer e a se consumir pelo calor da lâmina. A carne exposta estava queimada nas bordas do corte, e finos fios de fumaça começaram a subir de Seu peito.

As forças de Deus cederam. Ele caiu de joelhos, apoiando as duas mãos no mármore.

Lúcifer ficou imóvel. Seus olhos se arregalaram. A raiva desapareceu de seu rosto.

Deu um passo para trás. Depois outro. Baixou os olhos para a própria espada. O sangue do Pai escorria lentamente pela lâmina negra, misturando-se aos veios vermelhos. A mão de Lúcifer começou a tremer.

— Pai…

Sua voz saiu quase sem força.

— O que foi que eu fiz?

Nenhum dos dois se moveu.

Deus respirava com dificuldade. Com esforço, conseguiu Se sentar no chão e começou a Se arrastar lentamente pelo mármore, afastando-Se de Lúcifer, até alcançar a parede do lado oposto dos aposentos. Encostou as costas contra ela e levou uma das mãos ao peito. Quando a afastou, a palma estava coberta de sangue.

Do outro lado dos aposentos, Lúcifer ainda segurava a espada. As lágrimas continuavam descendo por seu rosto enquanto olhava para o Pai ferido. Então seus dentes começaram a se cerrar, os dedos apertaram novamente o cabo da espada e a respiração tornou-se mais pesada. Pouco a pouco, o choque começou a desaparecer, e a revolta voltou a tomar conta de seu rosto.

— Só existe uma solução.

Lúcifer firmou a espada nas mãos e começou a avançar.

Deus permaneceu encostado à parede, observando o filho se aproximar. Não tentou Se levantar. Não tentou fugir.

Lúcifer avançava em Sua direção, ainda chorando, com a espada preparada para atacar novamente.

Deus ergueu lentamente a mão direita. Ela estava coberta de sangue. Mesmo assim, quando olhou para Lúcifer, sorriu.

Não era o sorriso de um Deus diante de um inimigo. Era o sorriso de um Pai diante de seu filho. Lágrimas começaram a cair de Seus olhos.

— Meu filho…

Lúcifer continuou avançando. Deus manteve os olhos sobre ele.

— Me perdoe.

Uma intensa luz dourada começou a nascer em Sua mão. Então a luz explodiu. A rajada dourada atravessou os aposentos com uma força muito maior do que todas as anteriores.

Lúcifer desapareceu dentro do clarão.

A barreira avermelhada tornou-se visível de uma só vez ao redor dos aposentos. As runas brilharam intensamente enquanto ondas violentas percorriam toda a sua superfície.

Por um instante, resistiu. Então se rompeu. As runas desapareceram no mesmo momento em que a rajada atingiu a parede atrás de Lúcifer.

O mármore explodiu de dentro para fora. Enormes fragmentos foram lançados para o Pátio, enquanto parte do teto dos Aposentos desabava junto com a estrutura.

A luz dourada atravessou a enorme abertura deixada pela destruição e se espalhou pelo Pátio.